quarta-feira, 8 de julho de 2009

Reserva Extrativista do Ciriaco: Os extrativista e a nova economia do babaçu


Já fizemos as bodas de menina moça da Resex Ciriaco, e contamos mais dois anos depois da grande festa de seus 15 anos. Com seminário de discussão, missa, culto, torneio de futebol, muído no mastigado da jumenta e outras coisitas mais.
Hoje falo com intimidade de um lugar onde somente quatro anos atrás, nada mais era do que um espaço que eu imaginava ter coco babaçu reflorestado a mão, já que se tratava de uma reserva de babaçu.
No entanto, logo na primeira visita, percebi que não se passava de um povoado comum da zona rural maranhense. Mas como assim? Se esse lugar agrega tantos olhares, como vê-lo assim tão comum a ponte de confundir-se com qualquer outra agremiação camponesa.
É necessário dizer que ali, não cheguei de pára-quedas, foi a quebradeira de coco Maria Querubina ( Coordenadora do MIQCB) que me apresentou à comunidade, e ao IBAMA, que gerenciava de forma direta a Unidade de Conservação Federal. Na Modalidade de Reserva Extrativista.
O que justificou minha presença na comunidade era um trabalho de pesquisa o que resultaria em uma simples monografia de um curso de educação. (hoje já concluído)
Conquistei meu passe livre o que me permitiu conviver com todas os moradores da comunidade, no coletivo, em particular, em pequenos grupos, ou ainda só nas minhas longas observações solitárias.
A comunidade, exibe no seu centro, a Escola Municipal Santa Teresa, (Meu objeto de estudo), um posto de saúde, agora dois telefones coletivos os famosos orelhões que funcionam conforme o tempo, um campinho para os torneios de futebol, a igreja católica, um templo para os evangélicos da Assembléia de Deus, outro templo para a comunidade adventista, na qual congrega seu Antonio Crente e seus descendentes todos, o que totaliza pouco mais de meia centena de convertidos à essa crença.
Uma quitandinha de piso branco vende sandálias que imitam havaianas, perfumes baratos, fumo maratá, carregos para lanternas entre outras bugigangas, (não me lembro de ter visto camisinha). No entanto trata-se do comercio local que abastece a comunidade que por sua vez, na sua maioria compra tudo fiado pra pagar no fim de mês com a aposentadoria, ou a bolsa família.
O pouco coco extraído pelas quebradeiras de babaçu, também é repassado ali mesmo no comercio local, no bar de seu Mundico. Aliás, seu Mundico, que perdera a perna muito recentemente em um acidente automobilístico, atende todos com um sorriso no rosto e serve a cerveja mais gelada do povoado.
Os bares são os principais pontos de encontro da ala masculina, nos fins de tarde enquanto as poucas quebradeiras de coco retornam para suas casas para fazerem seus jantares e assistir a novel das seis, os homens já estão quase todos de banho tomados e degustando uma amargosa, jogando suas partidas de bilhar esperando pacientemente a hora do jantar. Com um publico massivamente masculino, saíam conversas de todos os tipos, não hesitei em freqüentar constantemente esse espaço social da comunidade, nem sempre fui vista com os melhores olhos mas fui sempre muito bem recebida entre eles.
Dos poucos bares na comunidade destaca-se o mais recente empreendimento comercial às margens do Andirobal, ergueram uma choupana coberta de babaçu, evidentemente. E batizaram com um nome bastante sugestivo: “ Mastigado da Jumenta” não houve explicação para o nome, e tornou-se lugar referencia para as serestas em tempos de veraneio. Um receita de peixe frito de fazer padres pecar é servido com um baião de dois e uma pimentinha in natura. O visitado bar pertence ao clã “COLODINOS” ah! Os Colodinos fazem parte da maior família da comunidade.
Não foram os Colodinos que assituaram o Povoado, mas se destacaram em números e do morador sitiante que rompera as matas fincando as primeiras estacas da primeira moradia, ficou o nome da comunidade e que hoje também nomeia a Unidade de Conservação Federal, com uma área geográfica de 8.114 hectares que engloba ainda três povoados distintos: Centro do Olimpio, Alto Bonito e Ciriaco sendo este ultimo o que é centro da Reserva de Ciriaco onde exibe ali um marco natural, uma exuberante e solitária árvore de Axixá, no centro da reserva de babaçu. Ali mesmo onde está plantado o axixá, também está a sede da ATARECO – a associação dos extrativista de Ciriaco.
Extrativistas? Ah, como poderia esquecer de mencioná-los? Uma das exigências para uma localidade torna-se Reserva Extrativista, è que sua população deve ser extrativista, pois é. No caso de Ciriaco esse foi a principal justificativa, acrescido ao bioma babaçu, e sua população tradicional extrativista, o problema é tu encontrar em Ciriaco aquela demanda de quebradeira de coco, agora elas são tão poucas que podem ser contabilizadas em menos de uma centena.
Chamo atenção para a reserva e preservação dos cocais, eles estão lá de pé. O babaçu abunda em Ciriaco, só falta ali quebradeira, o que justifica a ação dos carvoeiros que trabalham de sol a sol para carbonizar o maior numero de sacas de babaçu com amêndoa, mesocarpo e casca, ou seja, o coco é queimado inteiro. Toda demanda de carvão de coco inteiro abarrotam as carretas que por sua vez, são abastecidas em frente a sede da associação dos extrativista sob os olhos de quem ali passar pra ver. Ou sentar pra assistir, meia dúzia de homens em sua negritude total resultado do pó do carvão que carregam sobre seus ombros traçam um vai-e-vem frenético no rápido abastecimento da carga.

8 comentários:

Anônimo disse...

Parabens,gostei mt do jeito simples q vc conduziu a sua fala,disse muitas verdades que nem sempre queremos ouvir.vejo que vc a cada que passe cresce em vários aspectos quando se fala em meio ambiente, voce tem uma boa visão do contexto em geral,ou seja tem um olhar lá na frente,,continue serei sempre seu admirador.

Euvaldo Pereira da silva
Chefe da Resex do Ciriaco/Icmbio/Imperatriz.

Nara disse...

Vanusa, Vanusa... és uma gota de luz neste oceano de estrelas. Tua parcela de contrubuição é sem dúvida significante para o nosso povo sofrido e cheio de esperança. Parabéns pelo blog, que tua luz nunca se apague.
Bjs

Centru Maranhão disse...

É animador receber eleogios, mesmo quando estes são feito por amigos que sempre nos amnimam a seguir em frente!!!!
grata

Vanusa Babaçu

Conceição Amorim disse...

Escrito com a simplicidade dos apaixonados...o texto é carregado de ternura...
Lindaaaaaaaaa a foto do ARCOIRIS...

Vanusa Babaçu disse...

Conceição,

o ARCO-IRES e suas simbologias sempre estão no meu caminho, sepre me fascino com as suas aparições. Imagina quando ele me aparece por detrás de uma palmeira!!!
Ái, fica difícil de resistir!!

Obrigada pelo lindo comentario!

Anônimo disse...

Parabéns Vanusa,

Sua simplicidade e a forma como demonstra o "comum" dentro da sua vivência embeleza mais ainda as linhas por ti produzidas.

Saudações!

João Baptista

Vanusa Babaçu disse...

João Baptista

Minha vivência está repletata de belezas que emanam de pessoas como tu...

Obrigada.

negão disse...

queria ver algumas photos do povoado queridovanusa . (Evando Mark´s)