sexta-feira, 24 de julho de 2009

Assembleia da COIAB - Aldeia São José - Montes Altos - Maranhão!

Árvore que marca o centro da aldeias São José

































































Participar
como convidada do grande momento político para os povos indígenas da Amazônia Brasileira, me encheu contentamento. Ao adentrar a aldeia São José, outro mundo encheu meus olhos. A forma tranquila de viver, a arquitetura na construção da aldeia de forma circular,a receptividade dos anfitriões. Rever meus amigos Lourenço Krikati, o professor e indigena Raimundo Krikati, sua esposa Lucia, Valdiniz Krikati, os mais velhos da aldeia, a grande quantidade de crianças que ali se faziam presentes algumas correndo entre os participantes da assembléia, outros nas tipóias carregadas pelas suas mães e por seus pais. Me certificando que há mesmo muitas momentos são singulares. A exemplo deste. A tiracolo, levei também minha cria, Bebel. ambiente para ela familiarizado.


Onde aconteceu?

A aldeia São José do Povo Krikati, muncipio de Montes Altos no Estado Maranhão, recebeu e acomodou um grande contingente de povos indígenas para a IX Assembléia Geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira COIAB – que engloba 75 organizações membros, oriundas dos nove estados da Amazônia Brasileira ((Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins); a organização indígena abarca uma parcela de 60% da população indígena de todo o Brasil, numa somatória de 430 mil pessoas. Para o grande encontro fizeram-se presentes os seus representantes legais, entre eles destacamos a presença do Coordenador geral da COIAB Jecinaldo Sateré Mawé; Lourenço Krikati representante da Coordenação das Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (COAPIMA); delegados eleitos nas bases; bem como a presença da autoridade máxima local o Cacique José Krikati.
A grande reunião dos povos indígenas ali presentes registrou momentos singulares, a exemplo do III Encontro de Mulheres indígenas da Amazônia, que ocorreu na véspera da assembléia, “no qual foi definida a criação de uma organização autônoma de mulheres, que atuará de forma independente, em estreita parceria com a COIAB, e que foi denominada União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira – UMIAB.”( http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=320446) Festejado por todos e todas dignas de festa como assim fizeram o povo krikati, para a nova coordenação da UMIAB.

A grande Assembleia elegeu a nova coordenação da COIAB, essa assembléia aprsenta uma particularidade elegendo uma mulher como Vice-coordenadora, a representante do povo Guajajara Sonia Bone, os povos indígenas do Maranhão manifestaram seu contentamento, festejando com todos os presentes a grande conquista. O encontro também avaliou avanços e dificuldades encontradas pela instituição que representa os 160 povos indígenas, cada um com suas particularidades espalhados nas 110 milhões de hectares de terras amazônicas. Outro ponto importante tratado na Assembléia foi a revisão do estatuto que rege a entidade.

Como foi?

O encontro sucedeu clima de alegria e o povo Krikati, recepcionou os presentes com grandes momentos festivos, convidando também outros povos que ali se fizeram presentes para manifestarem seu contentamento com apresentações culturais. Entre outros o povo Karajá, registrou presença com uma comitiva de jovens, que confirmaram o repasse e aprendizado da cultura Karajá para as novas gerações.


Eu e Isabel nos aproximamos de um grupo jovem ali presente: era o povo Karaja, lindos e simpáticos irradiavam alegria, nos fotografamos, e um logo disse que autorizava a postagem no orkut, o que serviu para facilitar nosso pedido, sim a maiorias dos jovens Karajas ali presentes tem sim o a pagina do Orkut. Garantindo que não mais perderemos o contato com o grupo.Mantendo assim, um contato possível com outras culturas também. O grupo estava composto com sua indumentária de festa, e ficamos atentas para a apresentação, uma dança que as mulheres não participam.

















Para os não indígenas, os momentos se intercalaram entre políticos e culturais, no entanto a manha do dia 24 registra-se um momento peculiar: O batismos dos eleitos para a nova Coordenação da COIAB, que a partir deste momento receberam nomes de antigos guerreiros Krikatis, tornando-os também guerreiros daquele povo, levando consigo energias positivas para a grande responsabilidade que cada um recebera, na representatividade da mais importante organização indígena do Brasil.


Quem estava lá
?


Os novos rostos que surgiam a minha frente, demonstrando a diversidade de identidades e culturas diferentes. A Juventude indígena, convidados de outros povos ou a juventude Krikati, que ali estava responsável pelo bom andamento d o encontro. Servindo água, café e cuidando dos impecáveis banheiros disponíveis para a grande quantidade de participantes da Assembléia. Como é bom ver isso, povo organizado em busca de seus direitos. Como é péssimo saber que para ter nossos direitos respeitados precisamos nos dividir como povos. Sempre que eu ouvia alguém se referir ao homem branco eu ficava meio perdida querendo mesmo ter certeza a qual povo eu pertenço, de que cor eu sou, e qual cor terá os meus descendentes.
Mesmo assim, meio perdida com a minha identidade cultural, foi para mim um momento impar assistir e participar do grande encontro politico e cultural dos povos que eu prefiro chamar de grande festa dos verdadeiros povos amazônicos.


Outros momentos:








segunda-feira, 20 de julho de 2009

22 anos de Vila Conceição!! FESTA!

























Uma festa!!!!


Isso mesmo, uma festança!!!



Nem o tardar da hora com a boquinha da noite se aproximando, minha moto com farol aluminado só pra cima, não me impediu de estar presente na festança da Vila Conceição, comunidade rural que eleva consigo o nome do líder camponês maranhense Mané da Conceição, homenagem dos trabalhadores rurais que ali se instalaram alcerçados na força de um pequeno grupo, liderado por este trablhador rural.

Ta certo que lá nos registro do Incra, chama-se Projeto de Assentamento Itacira I e II., dificil mesmo é encontrar algum morador que tenha lembrança dessa denominação para o cotidiano da comunidade rural.
Não fica tão distante de Imperatriz, mas cronometrando de minha casa até a vila I, bateu 36 quilômetros entre um ponto e outro, mas e daí?

Com medo (digo, PAVOR) de ir sozinha atraquei meu vizinho o Eiderson "Cabecinha" na garupa de minha Ceiça, extenção de meu corpo, quase o que poso chamar de pernas, afinal velha, vermelha e ralada a BRÓS/ 2004 nunca me deixou na mão, no chão sim é uma verdade. No entanto é sempre com ela que eu me desloco aos mais distintos e distantes lugares.

Assim saímos, as 17;30 hs infelizmente na hora preferida dos mosquitos saírem a caça de olhos, e sem duvidas encontraram os meus a certa altura da BR 010, quanto mais rodávamos mas nos rondava a sensação de termos nos perdidos pelo caminho.

Na certeza de conhecer bem a estrada, já nao contava mais com a luz do sol pra ajudar entramos à esquerda da rodovia, adentrando a estrada vicinal que liga as duas comunidades à Belém Brasiliazona, que é cortada pelo riacho Cinzeiro, logo no primeiro quilometro, tem uma ponte recém construída: cimento e ferro, mas que não agüentou ao primeiro inverno deixando de um dos lados da cabeceira da ponte uma cratera. Desconhecendo o buraco mergulhamos no escuro, eu, eiderso e a Ceiça resultando numa baita queda.

Com mais medo do que dores, um baita hematoma roxo na minha perna esquerda e os pelos do braço de meu companheiro Eiderson arrancado sem tempo para gemidos ou reclamações, erguemos a velha BRÓS/2004 certificamos que o motor estava em perfeito funcionamento , mas o farol agora completamente pra cima, sacudimos a poeira na certeza de somente sete quilômetros nos distanciar da comunidade, e lá fomos nós!

Gastamos um bom tempo para alcançar as casas que surgiram aos nossos olhos com a sensação de alívio e felicidade de se chegar ao destino traçado. Pronto!!! A Vila, o povo, o carinho, tudo para recepcionar quem chegava já pelas horas iniciais da noite.

Assim como nós muita gente deixou para chegar a noitinha. Recebemos a senha para o jantar e alojamento em uma das casas da comunidade. Escolhemos a casa da Querubina, uma quebradeira de coco babaçu nossa conhecida de longas datas, motivo de nossa aproximação com a comunidade.

Nada mais nos faltou quando adentramos a comunidade, que já estava em clima de festa, já era de nosso conhecimento a programação do folguedo desde as primeiras horas da manhã, quando a festança se iniciou com a santa missa rezada pelo bispo de Imperatriz, Gilberto Pastana. Um farto almoço já tinha sido servido para quem chegou à comunidade em horas de sol. O torneio de futebol anima as horas da tarde.

Os chegantes, das comunidades adjacentes das comunidades da Estrada do Arroz marcaram presença bem como comitivas de localidades mais distantes, inclusive pessoas de outros estados. Residem nessa comunidade, uma ala jovem que se destacam na luta e valorização da terra, entre eles Letícia e André, os filhos de Luis e Penha, que irradiam a comunidade com suas belezas e simpatia. Também outros jovens com Antonia Querubina, atual coordenadora do Movimento das Quebradeiras de coco babaçu.

A festa é continua, o conjunto de Levi e Banda, se prepara para animar o baile logo depois das falações das lideranças da comunidade de e alguns convidados, para a festança desse ano contou com a presença do Prefeito Madeira e do ex-governador Jakson Lago, entre outras autoridades. Mas a festa é mesmo do povo, feita pelo povo, organizada pelo povo. Um momento esperado da festa é o discurso emocionado do assentado ilustre, Valdinar Barros que em sua fala relembra momentos especiais da comunidade, momentos difíceis, grandes vitórias que arranca aplauso do povo em gesto de concordância. Ao encerrar o discurso inicia-se um foguetório, logo em seguida o baile dançante, levanta ate os defuntos.

Finaliza-se com a chegada da madrugada. A ultima musica do grande baile é uma valsa, outro discurso de encerramento agora já de agradecimento pela tranqüilidade que tudo discorreu, arranca novos aplausos, a grande maioria dos presentes formam seu pares para se despedir da banda. Somente da banda. Haja vista que muita gente espera o sol raiar pra tomar a saideira.

Outros tantos pelas altas horas do meio dia, ainda permanecem nos bares da comunidade curando a ressaca com outras e comentando a festança, o cheiro de churrasco nos quintais registra que ainda tem festa para mais um dia, agora de forma mais privativa, mas bastante coletiva.

Antes de alcançar a hora dos mosquitos novamente deixei a comunidade, na certeza que já tenho agenda para julho de 2010, para o retorno é minha amiga Márcia que me faz companhia, já que o meu companheiro de vinda teve que voltar de ônibus pelo fato de não conseguir equilíbrio suficiente para se segurar na garupa da minha velha e ralada Ceiça. Quem adivinha o motivo?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Reserva Extrativista do Ciriaco: Os extrativista e a nova economia do babaçu


Já fizemos as bodas de menina moça da Resex Ciriaco, e contamos mais dois anos depois da grande festa de seus 15 anos. Com seminário de discussão, missa, culto, torneio de futebol, muído no mastigado da jumenta e outras coisitas mais.
Hoje falo com intimidade de um lugar onde somente quatro anos atrás, nada mais era do que um espaço que eu imaginava ter coco babaçu reflorestado a mão, já que se tratava de uma reserva de babaçu.
No entanto, logo na primeira visita, percebi que não se passava de um povoado comum da zona rural maranhense. Mas como assim? Se esse lugar agrega tantos olhares, como vê-lo assim tão comum a ponte de confundir-se com qualquer outra agremiação camponesa.
É necessário dizer que ali, não cheguei de pára-quedas, foi a quebradeira de coco Maria Querubina ( Coordenadora do MIQCB) que me apresentou à comunidade, e ao IBAMA, que gerenciava de forma direta a Unidade de Conservação Federal. Na Modalidade de Reserva Extrativista.
O que justificou minha presença na comunidade era um trabalho de pesquisa o que resultaria em uma simples monografia de um curso de educação. (hoje já concluído)
Conquistei meu passe livre o que me permitiu conviver com todas os moradores da comunidade, no coletivo, em particular, em pequenos grupos, ou ainda só nas minhas longas observações solitárias.
A comunidade, exibe no seu centro, a Escola Municipal Santa Teresa, (Meu objeto de estudo), um posto de saúde, agora dois telefones coletivos os famosos orelhões que funcionam conforme o tempo, um campinho para os torneios de futebol, a igreja católica, um templo para os evangélicos da Assembléia de Deus, outro templo para a comunidade adventista, na qual congrega seu Antonio Crente e seus descendentes todos, o que totaliza pouco mais de meia centena de convertidos à essa crença.
Uma quitandinha de piso branco vende sandálias que imitam havaianas, perfumes baratos, fumo maratá, carregos para lanternas entre outras bugigangas, (não me lembro de ter visto camisinha). No entanto trata-se do comercio local que abastece a comunidade que por sua vez, na sua maioria compra tudo fiado pra pagar no fim de mês com a aposentadoria, ou a bolsa família.
O pouco coco extraído pelas quebradeiras de babaçu, também é repassado ali mesmo no comercio local, no bar de seu Mundico. Aliás, seu Mundico, que perdera a perna muito recentemente em um acidente automobilístico, atende todos com um sorriso no rosto e serve a cerveja mais gelada do povoado.
Os bares são os principais pontos de encontro da ala masculina, nos fins de tarde enquanto as poucas quebradeiras de coco retornam para suas casas para fazerem seus jantares e assistir a novel das seis, os homens já estão quase todos de banho tomados e degustando uma amargosa, jogando suas partidas de bilhar esperando pacientemente a hora do jantar. Com um publico massivamente masculino, saíam conversas de todos os tipos, não hesitei em freqüentar constantemente esse espaço social da comunidade, nem sempre fui vista com os melhores olhos mas fui sempre muito bem recebida entre eles.
Dos poucos bares na comunidade destaca-se o mais recente empreendimento comercial às margens do Andirobal, ergueram uma choupana coberta de babaçu, evidentemente. E batizaram com um nome bastante sugestivo: “ Mastigado da Jumenta” não houve explicação para o nome, e tornou-se lugar referencia para as serestas em tempos de veraneio. Um receita de peixe frito de fazer padres pecar é servido com um baião de dois e uma pimentinha in natura. O visitado bar pertence ao clã “COLODINOS” ah! Os Colodinos fazem parte da maior família da comunidade.
Não foram os Colodinos que assituaram o Povoado, mas se destacaram em números e do morador sitiante que rompera as matas fincando as primeiras estacas da primeira moradia, ficou o nome da comunidade e que hoje também nomeia a Unidade de Conservação Federal, com uma área geográfica de 8.114 hectares que engloba ainda três povoados distintos: Centro do Olimpio, Alto Bonito e Ciriaco sendo este ultimo o que é centro da Reserva de Ciriaco onde exibe ali um marco natural, uma exuberante e solitária árvore de Axixá, no centro da reserva de babaçu. Ali mesmo onde está plantado o axixá, também está a sede da ATARECO – a associação dos extrativista de Ciriaco.
Extrativistas? Ah, como poderia esquecer de mencioná-los? Uma das exigências para uma localidade torna-se Reserva Extrativista, è que sua população deve ser extrativista, pois é. No caso de Ciriaco esse foi a principal justificativa, acrescido ao bioma babaçu, e sua população tradicional extrativista, o problema é tu encontrar em Ciriaco aquela demanda de quebradeira de coco, agora elas são tão poucas que podem ser contabilizadas em menos de uma centena.
Chamo atenção para a reserva e preservação dos cocais, eles estão lá de pé. O babaçu abunda em Ciriaco, só falta ali quebradeira, o que justifica a ação dos carvoeiros que trabalham de sol a sol para carbonizar o maior numero de sacas de babaçu com amêndoa, mesocarpo e casca, ou seja, o coco é queimado inteiro. Toda demanda de carvão de coco inteiro abarrotam as carretas que por sua vez, são abastecidas em frente a sede da associação dos extrativista sob os olhos de quem ali passar pra ver. Ou sentar pra assistir, meia dúzia de homens em sua negritude total resultado do pó do carvão que carregam sobre seus ombros traçam um vai-e-vem frenético no rápido abastecimento da carga.

terça-feira, 7 de julho de 2009

AH, Cavalgada









Tudo abaixo escrito, já está postado em outro blogger. No entanto diz tudo que eu penso e gostaria de dizer também, sobre esse evento que ocorre nas ruas da cidade princesa, com nome de IMPERATRIZ...



bosta verde sobre superfície negra



Fim de férias. Acabou a minha vidinha boa – sapo caiu na lagoa – de beber em plena segunda, acordar ao meio-dia e ficar assistindo ao Difusora Repórter com a Luzia Sousa e o seu "eu e você no SBT". Acabou-se. This is the end, beautiful friend. Já recebi até telefonema da Guarda Mirim me informando que estou escalado pra trabalhar na "nãoseiquegézima" Cavalgada de Imperatriz. O grande evento anual dos ruralistas, abertura da Expoimp, momento em que mauricinhos e patricinhas alugam carroças no Mercadinho pra encher a cara de Heineken enquanto são puxados por jumentos velhos de guerra do centro da cidade até o Parque de Exposições. A nata imperatrizense no seu dia glamouroso de Cheira-Peido, posando pra câmeras de 200 mega-pixels em cima das carroças enfeitadas pra depois criar álbuns no Orkut e esperar os comentários virtuais dos amiguinhos da Itz, da Texana, do Gatinhos.É uma dor de cabeça essa Cavalgada. Não só pra nós, da Guarda Mirim, que temos que chegar cedinho pra interditar as ruas, mas para a própria cidade, que literalmente "trava" durante o evento. Se no próximo sábado pela manhã um sujeito comprar um frango no Braseiro do Gaúcho e quiser retornar para a sua casa, no Bacuri, ele não conseguirá, porque será impossível cruzar a cidade - a avenida Getúlio Vargas - de um lado para o outro. A hora do almoço vai passar, o frango vai esfriar, e o máximo que ele vai conseguir é ficar parado num cruzamento. Depois o saco dele vai encher – com razão – e ele vai buzinar feito um louco e mandar o guarda que tá interditando a rua – eu, o filho da puta – tomar no cu. Mas o problema não somos nós, os guardinhas. O problema é essa Cavalgada de merda.Há cinco anos eu sinto isso na pele. Por morar no Conj. Vitória, tenho que fazer o mesmo percurso da Cavalgada pra chegar em casa. Apesar disso, os sacanas da Guarda sempre me escalam nas proximidades do entroncamento, um dos últimos pontos de interdição. Como só posso ir embora quando o último cavalo passa cagando, então é batata: mesmo que eu fure sinais, avance preferenciais, corte por dentro do Bacuri, quando eu chego perto da ponte do Cacau a maldita Cavalgada já está por lá, atravancando o meu caminho. Como não sou passarinho, tenho que reduzir a moto pra primeira marcha e seguir atrás dos animais durante uns quarenta minutos, até que, na entrada do Parque de Exposições, finalmente a BR é desobstruída e eu consigo acelerar pro caminho de casa. Nesses cinco anos, só houve uma vez que alguém se apiedou de mim. Sabendo que eu ficaria preso atrás de bípedes e quadrúpedes, um amigo - o Renan - me convidou pra matar esse tempo na casa dele, e almoçar por lá também. Almocei, conversamos, bebi café, fumei um cigarrinho e depois fui pra casa só no ponto de dormir.No caminho, perto da entrada do Parque, no acostamento da BR, entre bostas de jumento e latas de cervejas, vejo a cena que sempre me vem à mente nessa época de Cavalgada. À deriva no meio-feio, calçada com apenas umas de suas botas (perdera a outra?), tentando se levantar da sarjeta e principalmente do porre, vejo uma patricinha regurgitando debaixo do sol das três horas da tarde. Ao seu lado, algumas pessoas, não sei se rindo da situação ou tentando ajudá-la.Só me lembro mesmo de uma coisa. A de que mandei todos tomarem no cu. Claramente. Com o mega-fone do meu pensamento.

Postado por Luís Diniz às 17:17

segunda-feira, 29 de junho de 2009

California



São floridos de teimosas margaridas teus terreiros e quintais

O verde quase negro ao fundo é enfileirado comprado a valor de vidas...

que silenciosamente aguarda o abate para transformar-se em cinzas!

Mas a coragem do teu povo é latente,visível nos dias de luta.
O calor das manhãs de sol de dias maranheses, confundem-se com a fumaça.

Propositadamente imposta num pedido de socorro.

Lenços roxos, protegem estrategicamente teus pescoços.

Os gritos de uma multidão sã,

num dia comum de março,
misturam-se aos passos deste povo teu,

no teu chao vermelho e batido "CALIFORNIA"

A quem pertençe a Terra?



*Leonardo Boff
No Brasil se discute muito a questão da internacionalização da Amazônia ou a quem pertence essa rica porção do planeta Terra. Sem querer entrar nesta discussão que um dia retomarei, percebo que ela remete a outra ainda mais fundamental: a quem pertence a Terra?

Muitas são as respostas possíveis, algumas verdadeiras, outras insuficientes ou até falsas. Com certa naturalidade poderíamos responder: a Terra pertence aos humanos. Apelamos até à palavra das Escrituras que nos dizem: "entrego-vos tudo... propagai-vos pela Terra e dominai-a" (Gn 9,3.7). Estranhamente, os humanos irromperam no cenário da evolução quando a Terra estava em 99,98% pronta. Eles não assistiram ao seu nascimento nem ela precisou deles para organizar sua complexidade e biodiversidade. Como pode lhes pertencer? Só a ignorância unida à arrogância os faz pretender a posse da Terra.

Poderíamos ainda responder: a Terra pertence aos seres mais numerosos que a habitam. Então ela pertenceria aos microorganismos - bactérias, fungos, vírus - pois constituem 95% de todos os seres vivos. Segundo o conceituado biólogo E. Wilson um grama de terra contem cerca de 10 bilhões de bactérias de 6 mil espécies diferentes. Imaginemos os quintilhões de quintilhões de micro-organismos que habitam a totalidade dos solos terrestres. Todos estes têm mais direito de posse da Terra do que nós, seja por sua ancestralidade, seja pelo número seja pela função de garantir a vitalidade do planeta.

Ou ela pertence à totalidade dos ecossistemas que servem à comunidade de vida, regulando os climas e a composição fiísico-química do planeta. Esta resposta é boa mas insuficiente porque esquece as relações que a Terra entretém com as energias e os elementos do universo.

Assim, a Terra pertence ao sistema solar que, por sua vez, pertence à nossa galáxia, a Via Láctea que, por fim, pertence ao cosmos. Ela é um momento de um processo evolucionário de 13,7 bilhões de anos,
Mas esta resposta não nos satisfaz pois ela remete a uma pergunta ulterior: e o cosmos a quem pertence? Pertence àquela Energia de fundo, ao Vácuo Quântico, ao Abismo alimentador de todos os seres, à Fonte originária de tudo. Esta é a resposta que os astrofísicos e cosmólogos costumam dar. E é correta. Mas não é ainda a última.

Cabe uma derradeira pergunta: a quem pertence a Energia de fundo do universo? Alguém poderia simplesmente responder: ela não pertence a ninguém, pois pertence a si mesma. Esta resposta é simplesmente uma não-resposta porque nos coloca diante de um muro. Ela nos remete à teologia, a Deus.

Mudando de registro e caindo na nossa realidade cotidiana e brutal dos negócios: a quem pertence a Terra? Ela, na verdade, pertence aos que detém poder, aos que controlam os mercados, aos que vendem e compram seu chão, seus bens e serviços, água, genes, sementes, órgãos humanos, pessoas feitas também mercadorias. Estes pretendem ser os donos da Terra e dispõem dela como bem entendem.

Mas são donos ridículos pois esquecem que não são donos deles mesmos, nem de sua origem nem de sua morte.

A quem pertence a Terra? Fico com a resposta mais sensata e satisfatória das religiões, bem representadas pela judaico-cristã. Nesta Deus diz: "Minha é a Terra e tudo o que ela contém e vocês são meus hóspedes e inquilinos" (Lv 25,23). Só Deus é senhor da Terra e não passou escritura de posse a ninguém. Nós somos hóspedes temporários e simples cuidadores com a missão de torná-la o que um dia foi: o Jardim do Éden.

[Autor de Opção Terra. A solução da Terra não cai do céu. Record 2009].

Teólogo, filósofo e escritor


http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=38868

domingo, 28 de junho de 2009

Imperatriz (Quem) somos nós?


Um homem aportou

Em nossas ribanceiras

Interrogando terras

Matas, cachoeiras.

Veio de muito longe

Sua companhia

São quatro soldados

E duas famílias.

Descobriu das águas

As terras dos confins

Bem no coração

Do Tocantins.

Rio d’agua

Henrique Guimarães


Imperatriz, a segunda maior cidade do Estado do Maranhão, a Princesinha do Tocantins, aclamada em versos de musicas, poesia dos amantes, crônicas e prosas. Geograficamente carrega consigo a tarefa de marcar uma das fronteiras da Amazônia Legal, tornando-se assim o Portal da Amazônia Oriental.

Motivos diversos trouxeram pessoas de distantes lugares do Brasil, muitos permaneceram e tornaram-se parte de um todo que é Imperatriz. Na história sócio-cultural de Imperatriz, as contribuições dessas pessoas são singulares, cada uma trouxe consigo, em suas algibeiras retalhos de suas vidas, que aqui foram se misturando e construindo a história de uma cidade que nasceu nas margens do formoso Rio Tocantis.

Esse rio possibilitou a chegada dos primeiros habitantes da antiga Vila de Santa Tereza. Fundada por Frei Manoel Procópio que abarcou por aqui na companhia de quatro soldados, e duas famílias (música, Rio d”água - Henrique Guimarães) se utilizando do transporte fluvial atracendo sua barcaça na margem direita do caudaloso rio.


Novas alternativas para se chegar a Imperatriz foram surgindo com o passar dos anos contribuindo para aumentar o contingente de pessoas que constituem a população desta cidade.

A rodovia Belém-Brasilia, rompeu fronteiras, e colocou Imperatriz, em situação de cidade passagem para muitos outros lugares. No entanto, pessoas de importância singular tiveram suas passagens registradas nas paginas da história de Imperatriz. Muitos que vinham só para um tempo permaneceram e deram continuidade a suas vidas nesta cidade, e consigo trouxeram suas contribuições.

Por reconhecimento da importância da contribuição destas pessoas, muitas homenagens foram ou ainda são prestadas. O próprio nome da cidade homenageia a uma ilustre visitante. Seguindo estes exemplos nomes de ruas e avenidas, logradouros públicos etc. Na atualidade outros meios fazem valer estes fins: com registra (Costa, 2006 p 28)


A partir de 1967, a Câmara Municipal de Imperatriz passou a conceder títulos de cidadania a pessoas que prestaram relevantes serviços ao Município ou contribuíram para o seu desenvolvimento e bem-estar da população, seja diretamente com cidadão residente ou na condição de profissional ou detentor de cargo publico, nas mais diversas esferas de Poder. São pessoas nascidas em outras localidades que, por merecimento, ganharam a título de cidadão imperatrizense.


O rol dos homenageados é enorme, e os nomes são notórios, sem intencionar desmerecer os demais enfatizaremos aqui o nome de duas pessoas que contam na ilustre lista simplesmente por abordar pessoas que recebem também o nosso endosso para tal homenagem, por ser de nosso conhecimento suas ações como indivíduos que tomam para si problemas de toda uma coletividade. Trata-se de Maria Querobina da Silva Neta. No seu currículo podemos listar os seguintes adjetivos: analfabeta, trabalhadora rural. Quebradeira de coco babaçu, sindicalista, liderança camponesa. Que dá sua parcela de contribuição na historia desta cidade, da qual ela também a adotou como sua cidade.

E igualmente merecedor, o líder camponês Manoel Conceição Santos, ambientalista nato, que registra no diário de bordo de seus dias vividos no decorrer de mais de 70 anos, lutas constantes de cunho local e global em favor das classes menos favorecidas, por terra, trabalho e dignidade, com a intenção de que um dia possamos dizer sem medo: Essa terra é nossa.


Suas ações são reconhecidas mundialmente. Entretanto, por motivos diversos foi cidade de Imperatriz que ele escolheu para permanecer e fincar aqui suas raízes. O titulo que também foi dispensado a este cidadão condiz com suas contribuições para a construção da história contemporânea desta cidade. Sobretudo no que diz respeito às lutas dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, não só de Imperatriz, mas de todo o estado maranhense.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Coquelandia, avanços e saudosismos



































Um jeito de ce locomover
na velha Estrada do Arroz!



O povoado Coco Redondo permaneceu com esta denominação por muito tempo, uma espécie diferenciada de babaçu que exibiam cocos mais arredondados emprestou o nome para a comunidade. Com o decorrer dos anos e desejo de seus moradores recebe um novo nome: Coquelândia, o novo título com status citadino não implicou na calmaria da comunidade tradicionalmente camponesa, distante 35 km de Imperatriz, e 25km de Cidelândia interligada às duas cidades pela conhecida estrada do Arroz.Em décadas precedentes as grandes plantações de arroz na porção oeste do maranhão, incitaram varias famílias a migrarem para esta região e estabelecerem novas possibilidades econômicas.
As densas florestas de babaçuais possibilitavam a extração das amêndoas por mulheres desta região, que economicamente contribuíam com a renda familiar. As amêndoas eram escoadas para comercialização pela mesma estrada do arroz. Convém lembrar, que algumas famílias, tinham seu sustento garantido exclusivamente com esta atividadeOs avanços tecnológicos e econômicos cooperaram para que uma nova realidade social geográfica da comunidade fosse desenhada, aparente a começar pela paisagem, que anteriormente exibia uma mata fechada sobrecarregada de babaçuais. Atualmente se tornou em grandes extensões de terra coberta de capim para acolher a agropecuária regional.
As cercas das fazendas, os gados no pasto, dificultam de forma considerável a coleta do babaçu para a extração das amêndoas e o cultivo das pequenas roças familiares, também fica inviável. Visto que, a maioria dos camponeses não possui terras para desenvolverem seus trabalhos.Outra alteração concreta destaca-se para as grandes plantações de eucaliptos que estão presente em todo o entorno de Coquelândia, distanciando cada vez mais o cocal dos trabalhadores da comunidade. As plantações de eucalipto estão designadas para alimentar os fornos das grandes siderúrgicas implantadas no município vizinho, Açailândia.Convém sublinhar que, o coco babaçu nesta região tem servido também para alimentar os fornos das siderúrgicas citadas anteriormente, o que deve ser considerado é que o coco babaçu para atender esta demanda é queimado inteiro sem aproveitamento das cascas, mesocarpo e amêndoas.Um grave problema a ser enfrentado pelas quebradeiras de coco desta região, pois na maioria das vezes o proprietário arrenda suas terras para quem vai fazer o carvão, e este por sua vez sendo o dono dos cocos proíbe as quebradeiras de coletarem o babaçu.Coquelandia faz parte da zono rural do município de Imperatriz, que está amparado pela Lei de livre acesso aos babaçuais, desde 1994. No entanto Coquelandia e suas adjacências preferem emudecer quando se toca neste assunto. As coletas de babaçu nestas redondezas acontecem através de apadrinhamento, favores e relações de compadrios e etc. O distanciamento dos cocais, sujeitam as quebradeiras a pagarem fretes para que os cocos fiquem mais acessíveis a elas.
É a Igreja católica, uma construção singular que se destaca e baliza o centro do povoado. A comunidade católica é atendida pelos irmãos missionários do campo, que marcam presença no povoado há mais de 15 anos. A estrutura física do povoado conta com um posto de saúde com atendimento médico e odontológico duas vezes por semana, e para atendimentos simples o posto fica aberto diariamente. Duas escolas da rede municipal de ensino atendem o público do ensino infantil e fundamental. Uma quadra de esporte é bastante utilizada pela juventude, especialmente nas noites de fins de semanas com festas dançantes regadas a muita bebida alcoólica e musicas que infelizmente em nada contribui para construção da cidadania da geração futura.

Um pólo do PETI- Programa de Erradicação do Trabalho Infantil funciona em uma estrutura precária, no entanto oferece uma refeição de qualidade regular. Trezentas moradias que se diferenciam por vários aspectos do tamanho a arquitetura compõem o povoado, casas que exibem modelos contemporâneos e choupanas cobertas com as palhas do babaçu, constroem de forma harmônica a panorâmica da comunidade. Sendo perceptíveis as condições econômicas e sociais de cada família desta comunidade.

Os mais antigos rebuscam em suas memórias lembranças de Coquelandia em tempos passado, quando ainda era Coco Redondo, contam orgulhosamente que até aeroporto já ostentaram, mesmo que não tivesse conhecimento da origem ou destino de tais viajantes. A geração contemporânea acolhe os registros históricos como se ouvissem o contar de lendas, coisas que também não falta no imaginário dos moradores de Coquelandia.O povoado é pacato, as relações de compadrio ainda permanecem nas relações sociais dos moradores, crianças empinam pipas andam de bicicletas, a comunidade católica se reúne e fazem festejos na igreja, os jovens marcam presença nas festas religiosas. No entanto a proximidade com a segunda maior cidade maranhense, a mídia popular, as grandes festas, apresentam para as novas gerações outras probabilidades relativa a se tornarem citadinos.

O êxodo rural na vida dos jovens de Coquelândia tem inicio quando findam o ensino fundamental e desejam continuar seus estudos, para isso ou mudam de vez para Imperatriz ou fazem diariamente uma viagem extremamente cansativa, que ás vezes o percurso de 35 km é feito em até 3 horas. Salientando que a estrada cheia de buracos, pontes quebradas e muita lama nos períodos chuvosos colocam em risco a vida de todos. O ônibus é precário e outro meio de transporte são caminhonetes equipadas com banquinhos, conhecida popularmente com pau de arara. Sem esquecermos-nos de mencionar que os custos elevados das passagens dificultam a continuidade do estudo de uma parcela dos jovens da comunidade.

Entretanto, ao longo das margens da estrada do arroz, existem outras comunidades rurais, que aguardam a construção desta estrada, este assunto é discutido por todas as gerações que sonham e mantém suas esperanças que dias melhores estão por vir. A espera da construção da estrada já conta com décadas de espera.Entre estas, Coquelândia se destaca com um diferencial: A Casa Familiar Rural – CFR. Instituição educacional que emergiu em meados da década de 1990, com o objetivo de encontrar possibilidade dos jovens do campo estudar e ajudarem suas famílias e assim permanecerem por mais tempo no meio de suas comunidades.O publico atendido até 2007 era concernente ao ensino fundamental. Para o ano de 2008 a demanda para ser atendida pela CFR é de jovens que iniciarão o ensino médio. Visto que, na comunidade esta população ficava desatendida. O ensino médio desenvolvido na CFR será integrado ao curso técnico agropecuário, no termino deste curso com a duração de três anos o jovem conclui o curso técnico concomitantemente.A CFR- adota a Pedagogia da Alternância como metodologia de trabalho para o curso direcionado para os jovens camponeses. Pedagogia esta que emergiu na França nas décadas iniciais do século passado. No estado do maranhão a CFR é precursora nesta modalidade de ensino, atualmente no estado já se contabiliza vinte estabelecimento de ensino de CFR.As Casas Familiares Rurais, sobretudo a CFR – Coquelândia preocupa-se em trabalhar educação diferenciada para os jovens e suas famílias, respeitando as particularidades e saberes de cada aluno, no intuito de que o jovem adquira meios de permanecer no campo, contribuindo para o desenvolvimento local sustentável, conjuntamente com a sua família, a comunidade, o entorno e o meio social que está inserido.

I SEMINÁRIO DE DIREITOS HUMANOS – CASA FAMILIAR RURAL DE COQUELÂNDIA – IMPERATRIZ-MA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
CAMPUS/EXTENSÃO GOIÁS – GO
FACULDADE DE DIREITO
TURMA EVANDRO LINS E SILVA
ACADÊMICO: JOSÉ FERREIRA MENDES JÚNIOR

MINI-PROJETO DE EDUCAÇÃO POPULAR EM DIREITOS HUMANOS PARA TRABALHADORAS (ES) RURAIS DO ESTADO DO MARANHÃO

I SEMINÁRIO DE DIREITOS HUMANOS – CASA FAMILIAR RURAL DE COQUELÂNDIA – IMPERATRIZ-MA
DE 17 E 18 DE JULHO DE 2008




BREVE RELATÓRIO DA ATIVIDADE


O cotidiano da comunidade Coquelândia muito enriquece o trabalho, bem como, a mente daqueles (as) que desempenham atividades voltadas para a valorização da vida humana, em todos os seus aspectos, e a efetivação dos Direitos Fundamentais. Isto traduz-se perfeitamente, dentre diversos motivos, devido a luta incessante por sobrevivência das quebradeiras de coco babaçu que integram majoritariamente a população do histórico aglomerado rural em tela.
De sorte a permitir asseverar que, desde seus primórdios a atividade extrativista sustentável predomina o apontamento do conjunto de atividades exercidas pelos habitantes, atingindo um amplo caráter cultural que identifica a inconfundível porção de moradores (as). O coco babaçu e suas derivações - a casca, o mesocarpo, a castanha, etc. – são elevados por estes (as) ao seu mais alto grau de valorização e utilidade sócio-cultural. Demanda que vem sendo, desde significável tempo, tornada inconcebível e inviável pelo fato de, a cada dia, o acesso aos babaçuais na mencionada região ter tornado-se cada vez mais escasso em favor de utilidade econômica e, por motivo de intransigência dos grandes “proprietários rurais” de áreas que integram a malha babaçueira sul-maranhense. Fato que agride as babaçueiras.
Face à materialidade do crime praticado contra as quebradeiras de coco babaçu e, à completa indiferença política e jurídica demonstrada pelo Estado, inúmeras ações carecem de implementação, na busca pelo respeito ao direito à vida e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inc. III, CF/88).
A capacitação acerca da temática Direitos Humanos, encontra-se compreendida entre os elementos que compõem as devidas ações que devem ser realizadas em vista da luta por sobrevivência. Em Coquelândia não se faz diferente.
A atividade de capacitação: I Seminário de Direitos Humanos da Casa Familiar Rural de Coquelândia buscou, antes de tudo, proporcionar uma base mínima de conhecimento referente aos “DH’s”,e sobretudo, a adequação deste tema tão transversal ao caso concreto vivido pela comunidade das quebradeiras de coco.
Um sentimento ético de expressiva envergadura habitou durante os dois dias de seminário, quebrando minimamente a barreira restritiva de informação jurídico-social da comunidade e do meio estudantil ali existente. O qual expressou-se nos enunciados a seguir elencados:

I – História dos Direitos Humanos no Mundo;
II – História dos Direitos Humanos no Brasil;
III – Diversidade de Acepções do termo Direitos Humanos;
IV – Sistemas Nacional e Internacional de Proteção dos Direitos Humanos;
V – Noções básicas sobre:
a) Posse;
b) Propriedade;
c) Habeas Corpus;
d) Usucapião;
e) Desapropriação e Expropriação;
f) Liminares Judiciais;
g) Esbulho Possessório;
h) Interdito Proibitório.

Por fim, como foi observado, as razões pelas quais a eficácia dos direitos supramencionados não vem tendo concedência por parte do Poder Público para existir. Urgindo sem dúvida a importância da instrumentalidade do conhecimento para elucidação do problema fundamental (a inobservância do Estado a despeito da vida dos (as) habitantes de Coquelândia).Tendo servido como utensílio, tal atividade de formação difusa.



Agradeço a ilustre e lúcida intervenção da equipe pedagógica que coordenara o evento, na personificação humilde e talentosa de sua então coordenadora, Vanusa da Silva Lima.
Ante ao exposto reafirmo as considerações relatadas, certo de sua mais inteira veracidade.



José Ferreira Mendes Júnior
Graduando em Direito – UFG
Matrícula 074334

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Coco Redondo




Coco Redondo!???

Sim!!!!!

belas paisagens de antigos babaçuias da região da Estrada do Arroz.

Coco redondo, sim.
Uma especie de babaçuais frenquente nesta região da terras de cocais. deram-te o nome.

No meio do longe, empoeirado!

Está lá fincada, nossa agora "Coquelandia"

Os que agoram nascem por cá, nem te lembram como Coco Redondo, agora tens status citadino!

Status? Só de nome!

Continuas campesina como antes.

Mesmo quando teus jovens se exibem em calças de muitos bolsos.

Geograficamente nada mudou! Nada mudou? Minto agora.

Teus babaçuais, transformam-se em fileiras certinhas de eucaliptos!

Teu inicio? Lá nos meados do século passado.

Teu povo? Ah! teu povo, povo tranquilo, povo feliz!

Povo de Coco Redondo, povo de Coquelandia!

Antigo, Coco Redondo de muitas Quebradeiras de coco babaçu.

Nova, Coquelandia de poucas Quebradeiras de coco babaçu!

Coco Redondo de carbonizadores de coco inteiro, para esquentar fornos do progresso.

Coco Redondo de cocos agora não tão redondos, nem tão fartos.

Coco Redondo de tempos saudosos!



Vanusa Babaçu